5.15.2012

Quem muito quer nada tem

Queria escrever sobre a felicidade, sobre sentimentos bons e coisas bobas. Amenidades do dia-a-dia, brincadeiras de crianças, placar do jogo e todas as outras coisas que passam batidas no correr das horas. Queria falar de amores, nunca de suas dores. Queria cantarolar nas ruas, beber com amigos, sonhar colorido, comer pipoca de arroz e tomar muito soverte. Queria comer besteiras, brigadeiros e todo chocolate do mundo. Queria nadar pelado, correr no mato e escalar montanhas. Queria abrir o peito, coçar o saco e não pensar mal de ninguém. Queira falar menos e escrever mais. Queria ajudar os outros. Queria fazer caridade, sorrir sempre e não ouvir fofocas. Queria não dever dinheiro, muito menos obrigação.  Queira saber perdoar. Queira ser menos rígido, especialmente comigo mesmo. Queria escrever sobre as plantas, colher flores e ter um cachorro do meu lado. Queria não perder tempo. Queria gritar ao mundo palavras de incentivo, instigar carinhos nos outros e curar soluços. Queria tudo que não fosse o agora.

5.08.2012

And we'll run for our lives

Abriu os olhos. A claridade o cegava e o corpo coberto de orvalho pesava sobre o gramado verde. Levantou-se e começou a correr. Corria com a mesma intensidade com que correu no dia anterior. Corria com a mesma vontade com que correu todos os dias até hoje. Corria até desmaiar. Apagar, acordar e correr até novamente desvanecer. Não tinha escolha, tinha que correr. Corria por sua vida.

 

5.07.2012

O mesmo eu


I make the same mistakes, feels like I never learn, always give way too much for little in return. I haven’t changed a bit, I’m still not over it, I make the same mistakes.

3.09.2012

For the kill...


Um feito, outro por vir. Terminei, briguei, matei e defendi meu doutorado na Unicamp. Uma tese em haiku. "Diferenças & Inter-relações: avaliação da sustentabilidade na gestão das cadeias de oferta de bioenergia". Finito!

3.08.2012

Laços de família

Por dentro era prosa solta e toda idéia por ele grafada sua prisão doméstica. Nos textos o seu cotidiano. Suas palavras davam forma e corpo aos pesadelos de vidas convencionais e estereotipadas que o cercavam. Vida que seguia se repetindo de geração para geração, submetendo-se as consciências e as vontades, por vezes divinas e muitas outras nem tanto. A letra era dissecação da sua condição de classe média decrescente. Válvula de escape para sua visão, desencantada e descrente dos liames familiares. Nele os “des-laços” de convenção e união familiar. Não lhe faltava amor e interesse. Pelo contrário, amava seu sangue e carne como ninguém. Era um deles e para todo sempre continuaria a ser, apenas o que crescia nele minavam a força do querer ficar. Antagônico. No fim restou-lhe: amor, uma galinha, e feliz aniversário.


Foto de casamento dos meus avós em 11 de maio de 1956.

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